Mostrando postagens com marcador Artigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artigos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de abril de 2011

De quem é o espaço?

Estamos postando pouco, não? A ausência por aqui se dá pelo ritmo de início de casamento, aliado às outras atividades que desempenhamos - como o ministério na Igreja Presbiteriana do Renascença, e a plantação da Igreja Presbiteriana do Araçagy.

Até agora tudo tem caminhado bem. O maior desafio, de fato, é a organização do apartamento. O excesso de livros, os vários presentes para o lar (que recebemos de amigos e leitores!), e a pequena área do apê entram em conflito. E é aí que os testes começam.

Eu sempre prezei pelo meu espaço. Sem achar que eu exigia muito, queria apenas o meu cantinho em paz, para poder ler e escrever alguma coisa sem perturbação. Embora eu seja um pouco bagunceiro, certo nível de ordem era fundamental para que a concentração viesse, e a produção fosse possível.

E eis que me vejo casado, e com caixas e mais caixas de toalhas, pratos, potes, fôrmas, cabides, tapetes, livros, livros, livros e livros.

Dou uma olhada na bagagem. Passo os olhos pelo apartamento. Uma segunda encarada nas caixas.

Onde vai ficar esse negócio todo?

Aqui cabe uma digressão: o nosso apartamento [no qual eu morei sozinho por um ano e meio antes, e por isso já estava acostumado com certa rotina de coisas] possui algo em torno de 56 metros quadrados. Trata-se de uma pequena varanda que molha quando chove, uma sala, dois quartos, um banheiro e uma cozinha/área de serviço. Não há muito espaço.

Outra digressão: eu morei sozinho por todo o tempo mencionado acima, mas não havia comprado sequer um armário para guardar panelas e coisas do tipo. Montei umas prateleiras de plástico e me virei com aquilo (eu praticamente não cozinhava - apenas uma besteira de vez em quando).

As digressões acima são para demonstrar o ponto de que não havia espaço de sobra para as caixas, e nem uma cozinha organizada onde se pudesse guardar os potes-pratos-canecas-etc. Tudo deveria permanecer nas caixas, e ser guardado em algum lugar, até que comprássemos os móveis da cozinha.

A pergunta volta: Onde vai ficar esse negócio todo?

Quarto... não.
Sala... não.
Cozinha...não.
Escritório... escritório?

Era o lugar onde poderíamos guardar as coisas. E assim eu vi "o meu canto" se desfazer entre os meus dedos. O ambiente ficou tão cheio de caixas e aparente desordem, que se tornou difícil sentar em um ponto do quarto/escritório para estudar.

Obviamente isso gerou um desconforto, mas graças a Deus não houve discussões ou algo parecido por causa da "extinção do meu espaço".

O fato é que a idéia do "meu espaço" deveria agora ser repensada. Passei a compartilhar a minha vida com alguém, e, mesmo que não sejamos obrigados a fazer tudo juntos, a perspectiva solitária-individualista sofre alterações.

Mais do que isso: se eu fechasse a compreensão da realidade apenas no incômodo que eu sentia, não perceberia como isso também era doloroso para a minha esposa. Não ter uma cozinha organizada, nem onde colocar os utensílios, não ter como tirar seus livros das caixas para consultá-los, e olhar todos os dias para um quarto bagunçado era algo tão agoniante para ela quanto para mim.

A cozinha redimida
Com a graça de Deus, suportamos belos dois meses nessa situação. Nesta semana recebemos os móveis da cozinha, que já foram montados, e hoje passamos pelo cansativo, porém agradável processo de abrir as caixas, tirar os materiais, organizá-los na cozinha, limpar o escritório, redistribuir as estantes e livros, e amontoar as caixas para levá-las ao lixo.

O que eu aprendo com tudo isso? Eis a lista:

1. O casamento envolve abrir mão de elementos que sempre foram comuns a nós. Estar com alguém no matrimônio, é se dispor a compartilhar a vida, e deixar de lado itens que faziam muito sentido na vida de solteiro, mas que agora precisam ser repensados. Quem entra no casamento sem tal disposição, dificilmente conseguirá preservar a união por muito tempo. Isso nos faz pensar sobre o mandamento bíblico de o homem se unir à sua mulher e se tornarem uma só carne. A idéia de união é bem forte, de modo que a forma "solteira" de pensar precisa ser abandonada.

2. Liderar em amor envolve considerar o outro mais do que a si. Efésios 5 e 1 Pedro 3 falam sobre a liderança do homem no casamento, e ambos descrevem um tipo de liderança que ama, respeita, e trata a mulher com dignidade e carinho, considerando-a a parte mais frágil. Em termos práticos, isso significa que as dificuldades surgidas no contexto do casamento não devem ser observadas apenas sob a minha ótica - o que me incomoda exclusivamente. É importante que eu perceba como as mesmas questões afetam a minha esposa, a fim de perceber que algumas de minhas reclamações e críticas têm um poder destruidor, em vez de construir qualquer coisa boa no casamento.

3. Alguns problemas dependem de fatores externos para serem resolvidos, e por isso levam tempo. Eu não poderia acusar a minha esposa pelas caixas no escritório. Não poderia levantar irado todos os dias porque estava sem um lugar adequado para os estudos. Precisava compreender a situação, e exercitar a paciência, sem ser preguiçoso. Os passos para a resolução do problema seriam: (1) pesquisar os móveis da cozinha (planejados, modulares, etc); (2) comprar os móveis da cozinha; (3) pesquisar os móveis do escritório; (4) comprar os móveis do escritório e (5) tendo chegado cada parte, reorganizar o espaço a partir da nova realidade. O escritório ainda não foi comprado, mas o problema foi solucionado, pois ao retirar as caixas, conseguimos espaço para colocar algumas prateleiras no escritório, organizar vários livros nelas, além de termos uma bela cozinha, recheada de utensílios. Fazemos o que nos cabe, e aguardamos o que virá de fora.

4. As qualidades necessárias para o altruísmo, a paciência, o amor, são obra da graça. Nada do que foi relatado acima teria acontecido se Jesus não decidisse nos abençoar com amor e paciência. Por isso, mais do que qualquer exercício para solucionar problemas, a oração, leitura bíblica, e vida com Deus é fundamental. Precisamos ter Jesus no centro de nosso casamento.


Quando o meu espaço deixa de ser "meu", e passa a ser "nosso", a situação melhora. Quando o "nosso espaço", passa a ser "o espaço de Jesus"- "um lugar para a glória de Deus" [mesmo com muitas caixas e aparente desordem] - a redenção chegou.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Como o calvinismo pode salvar seu casamento

Também publicado no 5calvinistas

O título do post engana. Não se trata de um artigo para pessoas com casamento em crise - embora possa ser aplicado nesse contexto. Não tenta descrever o calvinismo como um método de "terapia conjugal", mas descreve elementos do pensamento reformado que possibilitam uma vida a dois mais saudável.

Estou às vésperas do casamento - exatamente a 9 dias dele. E por isso é natural que minha mente esteja voltada para o assunto. Minhas leituras também.

Enquanto leio e reflito sobre os autores reformados que escrevem sobre o casamento e a vida em família, como C. J. Mahaney, Paul Tripp, Martyn Lloyd-Jones e Augustus Nicodemus Lopes, percebo que existe uma maneira distinta do calvinista observar o matrimônio. Que elementos, então, tornam o calvinismo melhor preparado para abordar o casamento e a vida em família? Listo alguns:

1. O calvinismo observa a realidade a partir da tríade Criação-Queda-Redenção

Existe um modo peculiar do pensamento reformado encarar a realidade. Agostinho, Calvino, Kuyper, Herman Dooyeweerd e Francis Schaeffer são exemplos de uma linhagem calvinista que produziu bastante a partir desse modo de perceber o mundo e a história. Por meio do pensamento deles, somos confrontados com uma visão integrada e completa dos fenômenos - obviamente, não perfeita. Em vez de um ferramentário dicotômico (ao estilo matéria x forma, ou natureza x graça), o pensamento calvinista lida com o casamento usando instrumentos adequados - percebe que o homem foi criado sem pecado, e o casamento foi instituído ainda em um tempo de pureza e plenitude. Compreende que o homem pecou, e os efeitos do pecado foram cósmicos - por isso o casamento apresenta lutas e dificuldades. Crê que existe redenção na obra de Jesus, que restaura o homem como um todo, resgatando o significado do casamento, o amor, e as virtudes que possibilitam a vida a dois.

Sem fantasiar sobre a realidade, ou fugir da tentativa de compreendê-lo, o calvinista possui um quadro de referência que permite uma análise cautelosa e verdadeira das crises conjugais, bem como o conhecimento do "lugar" onde tais questões encontram luz e solução. [Na verdade é uma pessoa, não um lugar].

2. O calvinismo compreende a depravação do coração humano

Uma aborgadem comum de problemas conjugais tentará identificar "causas" em objetos ou circunstâncias. A TPM, o estresse, a roupa, a falta disso ou daquilo, será identificado como "o problema a ser resolvido". Com tal diagnóstico, o tratamento será um mês de férias, a diminuição do ritmo de trabalho, a mudança de alguns hábitos, etc. Provavelmente algum resultado positivo será obtido nas primeiras semanas, mas logo se perceberá que o problema, se não retornou como antes, foi "realocado" para uma área próxima.

O calvinista compreende que o problema central no casamento não são as circunstâncias. Elas apenas criam ocasiões para transbordar o que está no coração humano. Assim, o foco do tratamento deve ser o coração.

A antropologia reformada permite compreender a questão central que direciona todos os outros problemas surgidos no contexto do casamento - o pecado no coração do homem. No calvinismo existe um diagnóstico correto, o que permite o tratamento devido.

Como reformado, eu deveria reconhecer que o problema no meu casamento é o meu coração - sou eu.

3. O calvinismo enfatiza a soberania e providência de Deus

Enquanto outras correntes do cenário cristão buscam salvaguardar o livre-arbítrio humano, e assim tentam limitar pelo menos um pouco a atuação Divina, o calvinismo proclama, sem reservas, o governo absoluto de Deus sobre todas as coisas.

Nada surpreende o Senhor, nada foge de Seus decretos. Nada frustra os Seus planos e nada (nem ninguém) resiste à Sua vontade. Deus é soberano. Perfeita e plenamente Senhor sobre os céus e a terra, bem como sobre todos os que neles habitam. O Seu governo se estende do elemento mais simples ao mais complexo, da situação mais singela à mais difícil.

No contexto do casamento, a fé na soberania e providência de Deus traz conforto e segurança. As piores lutas não estão fora do controle do Senhor, e não passam despercebidas por Ele. As maiores alegrias também são desfrutadas a partir do reconhecimento de que há um "dedo" Divino nisso tudo.

A fé na soberania de Deus nos dá o maior de todos os recursos na luta contra o pecado da ansiedade - o olhar para o Senhor de tudo, e clamar a Ele. Não há luta que Ele não possa resolver.

4. O calvinismo ressalta o propósito da existência humana: a glória de Deus

A máxima calvinista grita alto: "Soli Deo Gloria!". O Catecismo Maior de Westminster responde: "o fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre". Está cristalizada na tradição reformada a noção da glória de Deus como o fator que dirige a vida humana. Ecoando o apóstolo Paulo, os reformados dizem que as coisas são feitas "para o louvor da Sua glória" (Ef.1.12), e que devemos "fazer tudo para a glória de Deus" (1Co.10.31).

Na vida conjugal, tal noção indica que o casamento é mais sobre Deus e Sua glória do que sobre a união de duas pessoas. O matrimônio é melhor vivido quando a sua Teorreferência é deliberada e contínua. Deus é o centro. A Ele a glória.

Isso significa que, no conflito de opiniões, a busca de satisfação pessoal - como se a minha glória fosse o mais importante - deve ser colocada em segundo plano, diante da tentativa de glorificar a Deus na resolução de conflitos e na tomada de decisões. Obviamente, como o coração do homem está comprometido, várias serão as vezes em que os calvinistas não cumprirão este propósito. Mas eles têm um alvo, uma confissão. Eles caminham para isso, e por isso lutam.

O credo calvinista reserva a Deus o lugar mais importante na vida a dois. Ninguém mais é tão relevante, nem os noivos, nem os familiares, nem os filhos. Ninguém além do Senhor.

Ad infinitum (?)

Cada um dos pontos do calvinismo, ou dos solas, ou dos símbolos de fé, poderia gerar um elemento que distingue o calvinismo e possui aplicações para o casamento. Alguns argumentarão aqui que muitos dos princípios que destaquei são partilhados tanto por calvinistas, quanto por não-calvinistas. Eu não criaria confusão com isso. Posso concordar que alguns dos pontos mencionados são, de fato, abraçados por irmãos não-reformados. A questão é que, fora do conjunto de pressupostos do pensamento calvinista, esses pontos estão soltos e mal explicados. Fora do contexto no qual eles são integrados e fazem sentido, perdem força - embora ainda tenham alguma.

Por isso penso ser o calvinismo distinto no casamento. Ele pode salvar a vida a dois, na medida em que trabalha com pressupostos e princípios fundamentais para promover a humildade no trato com o outro, o reconhecimento da incapacidade pessoal, a dependência da ação Divina, e o objetivo correto de se unir eternamente a alguém.

Soli Deo Gloria.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O que penso e sinto às vésperas do casamento

 [trecho do artigo "Um 2011...diferente", publicado no BJC. Para ler o artigo integral, clique aqui]


2. A mudança de estado civil
Comecei 2010 como solteiro. Começo 2011 a caminho do altar - ainda em Janeiro celebrarei o matrimônio com a blogueira do IvoneTirinhas, do lado de quem edito o EuCaso.com.
Obtendo habilitação para casar
Mudar de estado civil - de solteiro para casado - é entrar em um novo universo, cujas formas apenas foram vislumbradas de longe, no namoro e noivado. Creio, evidentemente, que a semente do casamento está no namoro, de modo que aquele é a elevação deste à última potência. Mas ainda assim, e considerando um relacionamento vivido a aproximadamente 2028 Km de distância, a realidade do casamento e da convivência revela aspectos até então inexplorados - sejam ruins, ou bons.
Finalmente estaremos na mesma cidade. Mais do que isso: finalmente estaremos na mesma casa (apartamento, para ser mais exato).
Se você deseja entender um pouco da minha sensação enquanto penso sobre tal mudança, basta pensar que será também desafiador conviver tão de perto - e para sempre - com alguém, mas finalmente poderei ver o rosto por trás das entonações de voz, as lágrimas escondidas sob o som do choro, o sorriso que o insensível(!) celular me esconde, e o perfume que a distância faz questão de dissipar.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A Beleza e a Intregralidade do Cristianismo

Uma das coisas que mais me fascinam no Cristianismo é a sua integralidade. O Cristianismo não é meramente uma religião, ele é um sistema de vida.
No que diz respeito aos relacionamentos por exemplo, o Cristianismo tem propostas concretas, não apenas para satisfazer sentimentos egoístas do nosso coração, mas propostas de crescimento, de amadurecimento como ser íntegro, ou seja, inteiro, completo.
Para a maioria das pessoas, o casamento é algo furado, já fadado ao fracasso. Eu, que gosto muito de camisetas engraçadas, ao passar por uma loja, verifiquei que todas as que se referiam ao casamento, eram com alguma frase de chacota. Isso reflete a sociedade que não acredita no casamento.
Para quem está no meio cristão é diferente. Quando mencionei para as pessoas que iria me casar, elas foram unânimes em dizer: "Casa mesmo, casar é muito bom! Foi uma das melhores coisas que já fiz." É muito bom e muito estimulante ouvir isso, em uma sociedade como a nossa, em que os divórcios se multiplicam cada vez mais.
Recentemente, recebemos de nossos amigos muitos votos. Não apenas votos de felicidade, mas votos de quem acredita no casamento, como instituição. Fui agradecer a uma amiga, que nos presenteou e ela disse: "Essa é uma forma de dizer que acreditamos nessa união". Isso me emocionou, me deixou sem palavras diante da beleza e da integralidade proporcionada para quem vive o Cristianismo.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O Amor e o Compromisso em Serious Moonlight

Imagine a seguinte cena:
Um casal, casado há 15 anos. De repente, ele percebe que algumas coisas na relação não são como eram antes. O documentário da sexta na TV é mais interessante do que ir pra cama e fazer uma leitura com ela, como de costume. O café, que antes era um momento de planejamento diário, agora é apressado e termina com um frio beijo na testa. O pastel com caldo de cana do sábado à tarde na praia, tem se tornado cada vez mais raro. E ele então chega a uma conclusão: eu não a amo mais. Nesse ínterim, ele conhece Josefina, bonita, elegante, e que tem gostos parecidos com o dele. Sem perceber, eles começam uma amizade, e então ele percebe que não apenas não ama mais a sua esposa, mas também está apaixonado por outra pessoa. Essa constatação gera uma reação. Devo me separar, pois não a amo mais, amo outra, e quero ser feliz e fazê-la feliz também, afinal do que adianta ficar com alguém que eu não amo?
Esse é o enredo de novelas, filmes e também da vida real. Nessa visão hollywoodiana, o amor é colocado como um sentimento, e agimos conforme a sua intensidade e a sua duração. Ele é maior que o compromisso que une o casal, maior do que a aliança, ele é o passaporte para a felicidade.
Essa é uma visão de amor egoísta. No relacionamento o que importa é o que eu estou sentindo, a minha felicidade e satisfação, não mais meu comportamento diante do outro e do compromisso que fiz com ele/ela.
Essa é uma visão de amor escravizadora. Agimos de acordo com o que sentimos, isso significa que o sentimento nos controla e não o contrário. Já imaginou como seria o mundo se todos fossem agir de acordo com o que sentem?
Essa é uma visão de amor que produz insegurança. Se eu já deixei de amar uma vez, quem me garante que não vai acontecer o mesmo com a Josefina? E se daqui a 15 anos a história se repetir com ela outra vez?
Mais que um sentimento incontrolável, o amor, bem como os outros sentimentos que temos, devem ser controlados e expressados para a glória de Deus e para servir ao próximo. Nesse sentido, no casamento, o amor deve sempre estar aliado ao compromisso, à escolha que fizemos quando nos casamos. O amor sozinho não sustenta uma relação, pois os nossos sentimentos são instáveis. Amor e compromisso, caminhando juntos e em equilíbrio, debaixo da graça de Deus são os pilares de um casamento eterno.

O Filme Serious Moonlight, no Brasil traduzido como: Armadilhas do Amor, tenta mostrar isso. O casal passa exatamente pelo dilema relatado no caso fictício acima. Loise, a mulher traída, toma atitudes radicais (como por exemplo, prender o marido no banheiro, hihihi) para que Ian perceba que ainda a ama, e que o compromisso que ambos assumiram é maior do que as crises sentimentais. É uma gostosa comédia que vale a pena ser assistida, pensada e discutida.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Passione

Sim, eu assisto às novelas. Tirando o fato de que tal prática pode virar um vício e tornar-se pecado, eu acho interessante acompanhar algumas cenas e capítulos. Primeiramente eu não enxergo a novela como uma simples futilidade, eu gosto da teledramaturgia, como arte. Há também o fato, e esse é o mais importante, de que a novela é produto cultural, sendo assim, passível de crítica, de análise teorreferente. A novela é uma história, e quem escreveu a história, coloca nela seus pressupostos. As pessoas que estão a sua volta podem até dizer que não, mas também assistem às novelas, por isso, eu prefiro assistir e ajudar os outros a analisarem biblicamente, do que não assistir ou simplesmente beber da cultura como um glutão que engole de tudo de maneira passiva. A novela reflete os valores da sociedade e a sociedade reflete os valores da novela. Um exemplo, é a novela que a Rede Globo está exibindo, a das 21h, chamada Passione. A visão de mundo presente na novela é que o amor ou a paixão está acima de tudo, inclusive do nosso controle. Não podemos controlar o sentimento, não podemos "mandar no coração". O sentimento de amor é tão forte que justifica o envolvimento com pessoas de caráter duvidoso, adultério e até mesmo bigamia.
Quando você conversa com algumas pessoas, verifica que esse pensamento é bem presente, inclusive entre cristãos, e soa até como bonito, como aceitável. A ideia é que em nome do amor, tudo pode ser feito, não importa a estrutura, se existe amor, posso dá a direção que melhor me parecer.
Mas será que a Bíblia apresenta o amor como um sentimento incontrolável, irracional? Será que o amor justifica tudo? Será que o amor, como apresentado na telinha, é de fato o amor verdadeiro?
Pretendo responder à essas inquietações nos próximos posts.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O gerúndio pré-marital: correndo, preparando, visitando, pensando e organizando

Pepe le Pew e sua gatinha no cartório - em busca da habilitação
Hoje recebi e-mail de um pastor amigo. Em linhas gerais, ele me alertou que as semanas anteriores ao casamento são estressantes, cheias de itens para checar, lugares para visitar, entre tantos preparativos.
Não apenas o pastor afirmou isso, mas a história tem demonstrado que o índice de TPM (tensão pré-marital) é altíssimo nessas semanas.
Há noivas que ficam iradas e supersensíveis, respondendo grosseiramente diante de qualquer mal-entendido. Há noivos que preferem passar esse período longe de sua amada, fugindo da responsabilidade para com o casamento, mas, em um nível mais fundamental, fugindo da tensão que este período causa.
A coisa é tão reconhecida culturalmente, que um canal de TV exibe um show sobre isso, cujo nome é Bridezilla - um trocadilho do monstro Godzilla com o termo Bride (noiva): ou seja, noivas comparadas a monstros tensos e devoradores.
Um dos maiores problemas disso, é que o clima de chegada do casamento, que deveria ser marcado por aquele friozinho gostoso na barriga, torna-se um ambiente de ira, discussões, insatisfação, e - muitas vezes - conflitos no casal.
Existem possibilidades para o fenômeno. Uma delas é que os noivos estão bastante preocupados com a beleza do culto. Não há pecado nisso.
O problema é: o que está por trás do desejo de ter uma cerimônia perfeita e marcante? É possível que um ídolo seja descoberto nessa investigação. Talvez os noivos tenham a expectativa de "brilhar" naquela noite. Talvez o casal deseje impressionar o público participante. Talvez tanto o homem quanto a mulher queiram que a sua vontade seja cumprida em cada detalhe, de modo que não aceitarão nada diferente, e responderão com ira, exercendo a sua "justiça' punitiva sobre os itens que fugirem de sua programação (seu controle sobre a história). Todas estas motivações são egoístas e pecaminosas.
Assinando a papelada
Doutrinas bíblicas podem ajudar a confortar o coração de noivos que caminham para o grande dia. A Doutrina da soberania de Deus pode nos ajudar a descansar na certeza de que a vontade de Deus será realizada, ainda que seja diferente da nossa. A doutrina bíblica a respeito do culto nos ensina que nossa expectativa última de um momento assim deve ser a celebração do Senhor, e não do homem - isso ajusta o nosso foco,  livra-nos de expectativas erradas, e assim, de frustrações. A doutrina bíblica do casamento nos ensina que o momento mais importante na vida do casal não é o culto do casamento, mas o decorrer de uma história de amor, compreensão, pecados, conflitos, graça e perseverança. Isso nos ajuda a não depositarmos nossa fonte de satisfação na cerimônia. A doutrina do homem na Escritura nos ensina que o homem é significado - ele aponta para Deus (sua existência é Teo-referente). Isso nos ajuda a tirarmos a atenção excessiva de nós e colocarmos no Senhor.
Com estes recursos da Palavra de Deus, podemos ter momentos mais tranquilos e prazerosos na organização do casório. Porque os momentos de alegria começam bem antes de dizer "sim".
Soli Deo Gloria.

*   *   *

Na última semana estive junto a minha noiva para resolvermos vários itens, como hotel, fotografia/filmagem, habilitação no cartório, roupas, entre outros itens. Deus nos tem dado graça. Ore por nós.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Casamentos Teorreferentes?

Este é o meu primeiro post no euCaso.com. E, em um primeiro post, eu estava pensando em escrever sobre a teorreferência do casamento. Você deve estar pensando, nada mais óbvio. Porém, talvez você tenha visitado o euCaso.com, porque conhece os noivos, ou por indicação de alguém. É possível que você nem saiba, o que é de fato, teorreferência, e é isso que eu prentendo tornar um pouco mais claro.

Teorreferência é um conceito criado e usado pelo Professor Davi Charles Gomes. Significa que Deus é o ponto de referência último de todo o ser humano, portanto um casamento teorreferente é um casamento que tem Deus como referência.

Alguém, comentando o blog, uma vez me falou: "eu queria ter um casamento teorreferente", e eu respondi: "Você tem". O grande erro das pessoas é pensar que um casamento teorreferente é somente aquele casamento que busca agradar a Deus. Somos seres teorreferentes, sendo assim, todo e qualquer relacionamento, ou tudo aquilo que o homem faz será teorreferente. A teorreferência é negativa quando o homem despreza a Deus vivendo em rebelião, e positiva quando o homem caminha em amor e submissão a Deus. O homem já nasce em rebelião contra Deus, por causa do pecado que habita em seu coração. A menos que ele reconheça que sozinho não pode voltar-se com amor para essa relação, ele continua vivendo em rebelião. A ÚNICA maneira do homem desenvolver um relacionamento de amor e submissão com Deus é por meio do sacrifício de Jesus, que morreu no lugar do homem para pagar o seu pecado.
Então, você que nem mesmo acredita em Deus, saiba: você é um ser teorreferente! Você despeza a existência de Deus e isso só demonstra a sua rebelião e insubmissão, mas ele é o ponto último de sua existência.

Se você é casado, e seu relacionamento não segue o padrão bíblico de casamento, ainda assim ele é teorreferente, pois está demonstrando a sua indisposição em seguir as orientações de Deus.

Uma questão de Estrutura e Direção

Para que possamos entender melhor essa questão, vamos recorrer ao conceitos de estrutura e direção, colocados pelo estudioso Albert Wolters, em seu livro" A Criação Restaurada":
Estrutura seriam as leis ou padrões que Deus criou para que o homem se relacionasse com o próprio Deus, com a cultura e com o próximo. Isso significa que tudo que acontece com o homem, acontece debaixo de uma estrutura estabelecida pelo Criador, e grande parte dessas leis estão reveladas em sua Palavra, a Bíblia.

Com relação ao casamento, essa estrutura de matrimônio foi estabelecida. Alguns parâmetros podem ser observados para esse relacionamento (Gênesis 1.21-24):

  • Ele deve ser monogâmico.
  • Ele deve ser heterosexual.
  • Ele deve emancipado de intervenções paternas.

Obviamente há mais instruções para a família em toda a Bíblia. Todas essas instruções dizem respeito à estrutura que Deus planejou o casamento.
As estruturas criadas por Deus funcionam com uma direção. A direção é responsabilidade dos homens. Como o homem tem o seu coração é voltado contra Deus, essa direção que o homem dá às estruturas criadas por Ele é corrompida pelo pecado, portanto o homem na maioria das vezes dá uma direção ruim, mas o fato da direção ser ruim não interfere no padrão estabelecido na estrutura.

Sendo assim todo casamento é teorreferente, ou glorifica ou desonra a Deus, depende, em parte, da direção que damos a ele. Eu e o meu noivo, autores desse site, desejamos estabelecer um casamento que glorifique a Deus. Mas como a direção é dada por nós, que somos pecadores, essa não será uma tarefa fácil, e vamos tropeçar muito no meio do caminho. Mas o mais importante é que temos a estrutura, sempre diante de nós, e o Deus que criou a estrutura ao nosso lado nessa jornada.

Agradeço aos professores Fabiano Oliveira, Davi Charles Gomes e Heber Campos Jr. por estarem me ensinando a ver o mundo com lentes mais bíblicas. Sem eles a publicação desse post não seria possível.



quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os relacionamentos como o lugar do discipulado

Eu ligo para a minha noiva - que está a um milhão de quilômetros de distância - e começo a derramar minhas frustrações, minha ira, decepções e angústia ao telefone.
Após demonstrar compaixão, ela subitamente começa a me fazer perguntas que esclareçam meus pensamentos e sentimentos. Questiona a minha percepção dos fatos - demonstrando que às vezes eles não aconteceram como eu digo: eu estou interpretando-os segundo o meu coração. Suavemente, e às vezes com seriedade maior, vai desvendando que o meu coração encontra frustrações, ira, e angústia, por expectativas erradas, idolatria, temor de homens, e o esquecimento de quem sou em Jesus.
Pouco a pouco vai reorientando o foco de minha observação da realidade, tirando a minha centralidade, e colocando-a em Cristo.
Enquanto isso, eu reajo de várias formas: ora reconhecendo prontamente o meu erro, e caminhando na perspectiva de ajustar a compreensão das coisas segundo as Escrituras, e ora lutando pra manter minha posição, escondendo-me atrás de desculpas e da culpa de outros ("mas foi ele que fez ...", "mas eu sou vítima...", ...). Até que, pela graça de Deus, sou vencido. Ainda que não tenha todas as questões resolvidas, já tenho um novo olhar sobre a coisa, e já posso caminhar para o conserto.

Talvez poucos casais vejam o seu relacionamento como o lugar do discipulado. Na vida do casal - namorados, noivos, ou casados - existem muitas oportunidades para o crescimento espiritual. Provavelmente é com o seu companheiro que você mais conversa, então pense nas possibilidades. Ele começa a conhecer o seu coração, identifica os recursos positivos e negativos que você usa para lidar com as situações, percebe os seus pontos fortes e fracos, e sabe como ajudá-lo.
É no convívio diário de nossos relacionamentos que a prestação de contas pode ser melhor vivenciada, que os pecados podem ser denunciados, e que Jesus pode ser exaltado.
Para que isso aconteça, no entanto, o casal precisa de honestidade. Principalmente no namoro, há muito fingimento por parte de ambos. O namorado posa de sabichão e forte, enquanto a namorada interpreta uma donzela meiga. As lutas são escondidas e não há diálogo honesto. Ambos vão aos encontros com suas máscaras. Para um efetivo discipulado, a honestidade é fundamental.
Além da honestidade, o estabelecimento de um diálogo Teo-referente também é necessário. Por "diálogo Teo-referente" quero dizer que as conversas devem ser percebidas como oportunidades de honrar a Deus, e promover o crescimento do outro. Que tal criarmos uma cultura na qual o casal tem tranquilidade para conversar sobre seus erros e fraquezas - sem que eles se sintam acusados ou diminuídos um pelo outro? Conversar sobre essas questões com alguma regularidade pode ajudar os pombinhos a criticar e receber críticas mutuamente, em um clima de segurança, amor, e temor do Senhor.
Use a sua criatividade e pense nas possibilidades de um discipulado no namoro/ noivado/ casamento. Leitura bíblica conjunta? Aconselhamento mútuo? Oração de um pelo outro? Orações conjuntas? Análises do dia-a-dia a partir da Escritura? Estudo de boa literatura juntos?
As possibilidades são muitas. O relacionamento não é a fuga das questões de Deus e da igreja. Não é um refúgio da realidade, ou dos conflitos com os pais, com o chefe no trabalho, ou com qualquer outra pessoa. Não é o centro da minha existência. Não é um meio para a satisfação pessoal exclusiva.
É o palco da glória de Deus, o lugar do discipulado.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sozinh@ e solteir@

Qual o segredo da felicidade, será preciso ficar só pra se viver? 
(Kid Abelha, Grand Hotel)

As canções sobre solidão refletem um item que, em maior ou menor grau, afeta muitos relacionamentos. De fato, não poucas pessoas, à medida que se aproximam da casa dos 30, entram em um clima de ansiedade quanto ao seu estado civil. "Ficarei só?" - pergunta uma jovem. "Vou ficar encalhada mesmo?" - outra questiona. "Será que eu nunca vou encontrar alguém?" - um homem pensa.
Por um lado, tais questões podem ser legítimas. Para alguém que planejava casar e estar acompanhado de um cônjuge até o fim da vida, chegar a determinada fase e ainda não ter encontrado @ parceir@ pode ser algo, até certo ponto, alarmante. Não há problemas em se intensificar as orações e até mesmo ter os "olhos mais aguçados" na procura de outro para amar.
Por outro lado, quero convidar você a pensar sobre os elementos que podem estar por trás dessa ansiedade - e que, de fato, estão em muitos casos. A angústia que brota da solidão e do medo de ficar só pode revelar alguns ídolos do coração, bem como o esquecimento de lições bíblicas importantes para todos nós. Além disso, existem implicações para a vida no dia a dia, como uma resposta prática daqueles que vivem em tal preocupação.
Pensemos juntos.


O problema cultural
Existe uma dimensão cultural seriamente problemática - não apenas em termos amplos, mas mesmo dentro das igrejas. Refiro-me à idéia de que alguém sempre deve estar acompanhado. Desde cedo nós brincamos com os bebês, simulando namoros entre crianças que, de outra forma, não considerariam olhar para a garotinha de 2 anos à sua frente desta maneira. Empurramos os infantes para pegarem na mão do bebê mais próximo, e os encorajamos a beijar ou simular um "relacionamento adulto", apenas para sorrirmos, soltarmos aqueles ruídos que fazemos diante de bebês (o típico: "ooooooooh"), e satisfazermos a nossa brincadeira tola. Em outras palavras, transformamos seres humanos em nossas Barbies e Kens, para deleite pessoal, incutindo em suas cabeças, desde cedo, que precisam estar com alguém, precisam se relacionar amorosamente com um parceiro. Não é à toa que, ainda cedo encontramos tais crianças envolvidas em algum tipo de "namorico". Elas foram treinadas para tanto.
Além disso, existe uma pressão social na igreja, por meio da qual um adolescente ou jovem necessariamente deve estar namorando. Uma senhora idosa encontra uma adolescente de 16 anos. A jovem ainda não sabe escolher adequadamente o batom que vai usar, mas a senhora lança a pergunta fatal: "cadê o namorado?". "Que namorado?", responde a garota. "Você não tem? Não se preocupe. Linda desse jeito, logo vai arrumar um". E assim a adolescente vai sendo ensinada que não apenas é natural que ela esteja com alguém, mas é necessário que ela esteja em um relacionamento.
Quanto mais velhas as pessoas se tornam, maior a cobrança por um parceiro. Aquela adolescente agora tem 25 anos, e ainda não tem um namorado. O que acontece em sua igreja? Todas as suas amigas insistem em perguntar quando vai aparecer um "carinha na parada", ou pior: insistem em lhe apresentar homens e fazer programas ridículos na tentativa de lhe empurrar pessoas.
O resultado é que, ao chegar aos 30 anos de idade, tal jovem estará profundamente atormentada. Por um lado as pessoas ainda perguntam por um namorado. Por outro, ainda existem aquelas que desejam lhe apresentar pessoas. Por trás, existem os que zombam dela, afirmando que "ficará para titia". E na frente, um conjunto de irmãzinhas piedosas diz toda semana que está orando para ela "encontrar o seu ungido".
Com essa conjuntura, ela criou uma pressão interna, por meio da qual não aceita o fato de estar só. Isso a coloca em crise consigo, mas ainda mais fundamentalmente, com Deus.

O problema das pressuposições
O que há de errado nessa história? Os amigos e irmãos não estavam preocupados com a jovem? Em algum sentido, sim. Porém, estavam trabalhando a partir de pressuposições errôneas, que os levaram a um comportamento errado.
Em um nível básico, eles estão trabalhando a partir da convicção de que todos devem estar acompanhados para serem felizes. Será isto verdade? Quando olhamos para as Escrituras, percebemos que as coisas não são bem assim. Quando Jesus é questionado sobre a seriedade do casamento, em Mt.19, Ele afirma que nem todos estão aptos a lidar com isso (vv.11-12). O Messias afirma, ainda, que há eunucos de nascença, ou seja, pessoas que nasceram para ficarem sozinhas por toda a sua vida. Em 1Co.7, Paulo sugere que as pessoas sejam como ele, e afirma isso no contexto de que é bom não se casar e dedicar-se a Deus. A Bíblia rejeita fortemente a noção de que alguém só é feliz se acompanhado. Por isso, ninguém que viva no celibato deve ser alvo de nossa zombaria ou preocupação exagerada - não podemos substituir o Espírito Santo.


Ídolos do coração
Agora pensemos na jovem angustiada. Que problemas percebemos no quadro? Primeiramente, ela assimilou a pressuposição de que só será feliz quando estiver casada. Já denunciamos e desmistificamos esse conceito pelas Escrituras.
Ao colocar a companhia de alguém como o elemento que determinará a sua felicidade, tal jovem criou um ídolo. O seu bem-estar depende de um relacionamento com um rapaz. Agora ela passa a viver a serviço deste ídolo. Busca jovens em todo lugar. Conversa com suas amigas sobre rapazes, e tenta acalmar o seu ídolo com a esperança de que logo encontrará alguém. Às vezes não consegue acalmar, e se entrega à ira, ao desespero, ora tendo reações agressivas, ora se fechando em seu mundo, para que ninguém a alcance.
Em um nível ainda mais profundo, tal jovem está confusa em sua identidade. Um dia a consciência de sua identidade em Jesus era o fator determinante de sua vida, mas agora ela é definida por sua luta contra a solidão. Ela se vê definida como "solteirona" ou "encalhada", e não como "filha de Deus", ou "amada por Jesus".
O resultado é que, na bagunça entre idolatria e confusão de identidade, ela tem passado a ver Deus como Aquele que a impede de ter a sua satisfação em um casamento - ela vive a perguntar: "Por que Deus não responde as minhas orações por um marido?".

Ajustando o foco
Como podemos ajudar esta jovem? Primeiro, já identificamos um quadro problemático. A luta foi construída desde a infância, e assim as coisas não serão resolvidas num passe de mágica. Mas temos esperança, pois quem faz as coisas não somos nós, mas o Redentor - Aquele que salvou a jovem do maior de todos os problemas: a condenação do pecado.
Podemos ajudar a jovem resgatando a sua identidade em Jesus. O ponto mais fundamental, a partir do qual os outros são levantados, é a questão de sua identidade. Quando ela se perceber como a Escritura realmente a define: uma filha de Deus, amada por Jesus e por Ele cuidada, as outras questões passarão a ser tratadas com maior clareza. Ela precisa compreender que, em Jesus, ela tem tudo o que precisa para uma vida plena (2Pe.1.3-9). Quando estiver realmente satisfeita em Deus, verá que a companhia de um homem pode até vir, mas não ocupará o lugar central em seu coração.
Após o ajuste da identidade, a idolatria precisa ser desmascarada. Ela deve contemplar o fato de que está permitindo que a busca por um parceiro determine a sua vida como um todo, inclusive o seu relacionamento com Deus. Identificado o ídolo, ele deve ser quebrado, e as relações reajustadas, tendo Jesus como o centro da vida.
A essa altura, ela poderá estar pronta para saber (ou já saberá) que existe a possibilidade de ficar solteira para sempre. É o momento de corrigir as pressuposições erradas, a cosmovisão regional e pessoal que foi desenvolvida desde a infância. Obviamente a ansiedade e a luta com isto pode se manifestar por várias vezes em sua vida, mas devemos ajudá-la a ter a munição das Escrituras, para reconhecer que Deus está cuidando de sua vida.

Outros erros, e uma convocação
O caso poderia ser expandido em muitas nuances, e você pode pensar em mais detalhes do que eu. A idéia é ilustrar uma situação. Existe uma conexão direta entre tais pressuposições e ídolos, e as condutas do dia-a-dia.
Pessoas com tal ansiedade podem ser tentadas, por exemplo, a rebaixar os padrões para seus relacionamentos. Nesse sentido, a jovem poderia riscar de sua lista o critério "ser cristão", e passaria a buscar qualquer homem - o que lhe renderia vários outros problemas.
Como estratégia de manipulação para segurar o namorado até o casamento, a jovem poderia abrir mão do critério pureza sexual. Para não ficar sozinha, passaria a fazer o que o namorado pedisse, relacionando-se sexualmente com ele como forma de mantê-lo consigo.
Várias outras estratégias seriam utilizadas, tendo como fundamento o medo de ficar só.
O evangelho nos liberta desses temores. Somos convocados a (1)corrigir a nossa conduta, se temos contribuído para um ambiente de pressuposições anti-bíblicas quanto aos relacionamentos; (2) ajudar aqueles que sofrem à nossa volta, desmascarando ídolos do coração; (3) resgatar a identidade em Cristo daqueles que, em meio à angústia, sentem-se definidos por suas lutas; e (4) demonstrar amor e trazer esperança aos que precisam da Palavra de Deus.
Deus nos ajude nessa tarefa.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Tudo começa com Quem começou tudo

Em um blog sobre relacionamentos e assuntos do tipo, pode ser fácil desviar o foco de Quem realmente importa. Se você está se perguntando Quem realmente importa, veja o "Q" maiúsculo e conclua: Deus.
A origem dos relacionamentos está na aliança, e por isso os compromissos entre os homens brotam, em última análise, de uma estrutura relacional formada por Deus.

Por uma antropologia bíblica

Pense no homem, por um minuto (embora isso não seja difícil). Quem somos, e como somos? A nossa identidade é dada por Deus, os nossos atos estão de acordo ou contra a Sua vontade revelada, nosso coração está em paz ou em rebelião contra o Senhor. Para usar termos bíblicos: "Nele vivemos, e nos movemos, e existimos" (At.17.28).
O que isso significa? Em simples linhas: que somos seres Teo-referentes (vou deixar a escrita na nova ortografia para a minha noiva).
Por sermos assim, a nossa existência é relativa a Deus. Existimos para Ele. Vivemos tendo-O como referência - quer reconheçamos isso, quer não.
Ilustrando de outro modo: você pode chegar em um país e viver ignorando as leis daquele lugar, mas ainda estará quebrando tais leis, pois não é o fato de você ignorá-las (deliberadamente ou não) que vai torná-las não aplicáveis a você. As leis de um país são maiores do que os cidadãos, no sentido de que, ignorando ou não, a sua conduta será observada tendo tais leis como referência.
Agora imagine o Legislador eterno - Aquele que criou até mesmo a lei da gravidade. Não é por alguém ignorá-Lo ou não crer Nele, que Sua existência e mandamentos perderão validade. Mesmo os ateus são Teo-referentes.


Relacionamentos relativos

Se os homens têm sua identidade definida por sua relação com Deus, tudo o mais que eles fazem também entra no jogo. Quem somos e como somos, é pensado em nosso ponto de referência último - O Criador de todas as coisas. Por isso, do simples acordar, ao mais complexo ato de fazer a declaração do Imposto de Renda, nossas posturas e ações estão relacionadas a Deus, de modo positivo ou negativo.
Se tudo significa "todas as coisas" - como é o caso aqui -, então os relacionamentos não ficam de fora. Seja um namoro, um noivado, ou um casamento - para ilustrar os relacionamentos entre homem e mulher -, Deus é o ponto de referência pelo qual a relação será observada. "Como somos diante de Deus?" deveria ser a pergunta de todo casal.
Perceba as implicações disso: Quem eu sou é definido em relação a Deus, com quem eu estou possui um significado a partir da visão de Deus, e como eu estou com tal pessoa precisa ser avaliado à luz da perspectiva de Deus. Outros pontos podem ser pensados, mas esses três ajudam a promover a compreensão do ponto.

O conforto Teo-referente

Há uma tentação aqui. Falar que tudo deve ser observado e avaliado em relação a Deus, pode ser mal compreendido, e utilizado para promover um moralismo perigoso. Na verdade, o moralismo é o desvio da Teo-referência, para a adoração das obras. Assim, alguém pode passar a julgar todos os relacionamentos como "não Teo-referentes" porque não se adequam ao padrão moral estipulado por tal crítico, ou por um grupo de críticos.
Mas ter um relacionamento Teo-referente é receber o conforto de que, mesmo quando um pecado for cometido, o centro do relacionamento não é o meu pecado, mas Deus e Sua graça. A perspectiva de relacionamentos centrados em Deus traz força e coragem para aqueles que lutam contra dificuldades e pecados que tentam desviar os seus olhos do "Deus conosco". Relacionar-se Teo-referentemente é, em última análise, saber que Deus é quem sustenta o casal (e o casamento).
Existe esperança para o seu namoro. Existe força para o seu noivado. Existe graça para o seu casamento. Compreenda a dimensão Teo-referente, e alegre-se em Deus.