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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Recuar no casamento é receita para o desastre

Artigo escrito por Albert Mohler, traduzido por Júlio Severo, e publicado no Notícias Pró-Família
Se você estivesse determinado a condenar uma população à pobreza e a muitas outras patologias sociais, como você faria isso? Se seu trama é estender os efeitos dessas patologias e sofrimentos para sucessivas gerações, quais seriam seus planos? A resposta a ambas as perguntas é óbvia. Basta apenas colocar o casamento à margem da sociedade.
Os economistas nos dão a informação de que o déficit de poder econômico dos solteiros em comparação com os casados chega a 75 por cento. Os solteiros são menos saudáveis, menos ricos e menos estáveis em relacionamentos em comparação com os casados. E, o que não é surpresa para ninguém, os maus efeitos dessa condição se estendem diretamente aos filhos de uniões sem casamento e até as gerações que virão.
Em outras palavras, é difícil imaginar uma conspiração para trazer danos e infelicidade para vidas humanas que se compare, em termos sociais e econômicos, à marginalização do casamento.
Medite nisso ao considerar outra dimensão desse quadro. Durante a maior parte do século passado, temos estado preocupados com o fato de que as elites culturais e intelectuais se distanciaram da instituição do casamento. Começando na década de 1920, os americanos com educação mais elevada se distanciaram do compromisso conjugal. Em contraste, a classe média se apegou resolutamente ao casamento, tanto em termos institucionais quanto morais. Os americanos da classe média e aqueles de níveis econômicos mais baixos tendiam a se casar, permanecer casados e ter filhos só dentro da instituição do casamento.
No entanto, numa reversão assombrosa desses compromissos, os americanos que têm mais dinheiro e educação acadêmica têm agora mais probabilidade de se casarem, permanecerem casados e terem filhos só dentro do casamento. Num dos grandes acontecimentos trágicos e inesperados de nossos tempos, os americanos com menos educação têm agora muito menos compromisso com o casamento do que no passado recente e menos compromisso ainda com o casamento do que as elites educadas.
Conforme explicam agora os pesquisadores, aqueles que têm um nível moderado de educação (um diploma colegial e que talvez tenham estudado numa universidade, mas não se formaram) são agora os que estão cada vez mais se distanciando do casamento. A mudança enorme em compromisso moral e institucional com o casamento é uma tragédia de proporções épicas se revelando diante de nossos olhos, mas está agora em curso avançado.
No livro “When Marriage Disappears: The New Middle America” (Quando o casamento desaparecer: a nova classe média dos EUA), um excelente grupo de pesquisa fornece ampla documentação dessa tragédia. A cada ano, o Projeto Nacional de Casamento da Universidade da Virginia e o Centro de Casamento e Famílias do Instituto de Valores Americanos divulgam um relatório intitulado “The State of Our Unions” (A situação de nossas uniões). Esse relatório mais recente, divulgado neste mês, oferece uma olhada entristecedora na marginalização do casamento entre americanos que tinham sido no passado os mais ferrenhos defensores do casamento tanto na teoria quanto na prática. O que foi que aconteceu?
Os Estados Unidos agora enfrentam uma “lacuna de casamento” que só dá para se descrever em termos sombrios. As pessoas com um nível moderado de educação agora têm menos probabilidade de se casarem, permanecerem casadas e reservarem filhos para o casamento. Esses americanos agora têm menos probabilidade de formarem casamentos permanentes, enquanto os que têm um nível mais elevado de educação têm agora mais probabilidade de se casarem. Para os americanos com um nível moderado de educação que casam, seus casamentos estão agora declinando em medidas de qualidade e estabilidade. Os índices de divórcio são agora mais baixos para os que têm maior nível educacional e são mais elevados para os que têm um nível moderado de educação. A classe média que tem um nível moderado de educação tem agora, “de forma dramática, mais probabilidade do que os americanos com nível elevado de educação de terem filhos fora do casamento”.
Os nascimentos fora do casamento para as pessoas com nível elevado de educação atingem agora a faixa dos 6 por cento. Compare isso com os 44 por cento para as mães com educação moderada e 54 por cento para as mães com o nível mais baixo de educação. Os filhos das pessoas com maior educação têm agora mais probabilidade de viverem com ambos os pais biológicos do que os filhos da classe média que tem educação moderada. Conforme observam os pesquisadores, os padrões que devastaram as populações urbanas e de minorias em décadas recentes agora se alastraram para os subúrbios e para a classe média dos EUA.
Conforme explica W. Bradford Wilcox da Universidade da Virginia:
Os números são claros. Para onde quer que olhemos entre as comunidades que compõem o fundamento da classe média dos EUA — quer o Maine de pequenas cidades, os subúrbios de classes operárias do sul de Ohio, as terras cultivadas do Arkansas rural ou as cidades industriais da Carolina do Norte — os dados contam a mesma história: O divórcio está crescendo, ter filhos fora do casamento está se alastrando e a felicidade conjugal está cada vez mais escassa.
Kay S. Hymowitz alertou acerca desse desastre iminente em seu livro de 2006, “Marriage and Caste in America: Separate and Unequal Families in a Post-Marital Age” (Casamento e casta nos Estados Unidos: Famílias separadas e desiguais numa era pós-matrimonial). Agora, menos de uma década mais tarde, o distanciamento da classe média do casamento está ocorrendo diante de nossos olhos.
Os pesquisadores sugerem que a grande “mudança de opinião e atitude” acerca do casamento dentro da classe média remonta a três acontecimentos. Primeiro, muito embora os que têm nível moderado de educação tenham tradicionalmente sido mais conservadores em questões morais relativas ao casamento, eles estão agora cada vez mais permissivos em termos de moralidade social e sexual. Numa virada grande e irônica, os que têm nível elevado de educação estão entrando nos padrões conservadores, ao mesmo tempo em que a classe média está ficando mais permissiva.
Segundo, essa nova permissividade significa que esses americanos têm agora mais probabilidade de se envolverem em condutas “que colocam em risco suas possibilidades de alcançar sucesso matrimonial”. Essas condutas incluem múltiplos parceiros sexuais e infidelidade conjugal.
Terceiro, os americanos com educação moderada têm agora significativamente menos probabilidade de adotar os “valores e virtudes” que se exigem para se ter sucesso matrimonial. Os pesquisadores apontam para abstinência de álcool, gratificação demorada e aspiração educacional como exemplos dessas virtudes que estão desaparecendo. O casamento depende de um alicerce moral, e sem essas virtudes (e outras), é muito difícil sustentar o casamento.
Adicione a tudo isso outra descoberta sinistra. Desde 1970, os americanos com educação moderada têm experimentado a queda mais significativa na frequência a reuniões cristãs. Nas palavras do relatório, “Durante mais de 40 anos, então, a classe média dos EUA perdeu a vantagem religiosa que tinha sobre seus concidadãos de nível de educação mais elevado”.
Essa descoberta tem apoio de dados de igrejas e denominações. As décadas de crescimento enorme de igrejas nos subúrbios dos EUA cederam a um terreno acidental muito mais complexo e difícil — e a marginalização do casamento está ligada a esse fenômeno também.
Em termos de dimensão religiosa, esse é o ponto máximo que “When Marriage Disappears” (Quando o casamento desaparecer) irá nos levar. É claro que os cristãos terão muito para contribuir para esse quadro. Sabemos que o casamento, embora fundamental para a sociedade humana, não foi dado para a humanidade por razões puramente sociológicas. O casamento foi dado por nosso Criador, que nos concedeu graciosamente essa instituição de aliança para nossa saúde, nossa felicidade e nosso florescimento humano. Além disso, os crentes sabem que o casamento nos foi dado para nossa santidade também.
Portanto, por razões que incluem tudo o que podemos aprender com esse relatório, e por muito mais que sabemos a partir das Escrituras e da sabedoria cristã, os cristãos sabem que a marginalização do casamento só poderá levar à infelicidade, doenças e o descosturamento dos relacionamentos humanos.
Não temos escolha, a não ser olhar para essa documentação com toda a sinceridade. Será que diante de nossos olhos não estamos assistindo ao desaparecimento do casamento para muitos?

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Meu último casamento terminou em divórcio. Como eu me preparo para casar novamente? Como posso encorajar meu namorado nesta fé?

 (resposta de uma diaconisa*)

Um bom lugar para começar é a série Peasant Princess, que é baseada no livro de Cantares, para ver como você pode se preparar para ser uma esposa piedosa e auxiliadora no futuro, seja com o seu atual namorado, ou com outra pessoa que Deus tem para você. Sinto muito que seu ex-marido tenha pecado contra você e Deus, ao traí-la. O único modo pelo qual você pode vencer este temor é através de Jesus, permitindo-se perdoar o seu ex, para que você não seja tomada de amargura e medo do futuro. A cura leva tempo, e eu sugiro fortemente que você encontre uma mulher piedosa mais velha em sua igreja, que possa caminhar com você pelo seu relacionamento e vida, enquanto busca a Deus e o que Ele tem planejado para você.

Com o seu namorado, é difícil discernir a linha entre encorajar e perturbar. Entre meu marido e eu, é uma questão de confiar nele, e crer que Deus está cuidando dele – e não eu. Eu não sou o seu Espírito Santo, e mesmo que seja maravilhoso encorajar a oração e a leitura bíblica, isto é algo que ele precisa fazer por conta própria, assim como você. Da mesma forma que espero que você encontre uma mulher piedosa e mais velha, espero que ele encontre um homem mais velho e piedoso para encorajá-lo. Os homens têm uma forma de se animar mutuamente, que as mulheres não são capazes de reproduzir. Veja este exemplo em Tito 2.2-4.

Homens mais velhos devem ser sóbrios, dignos, controlados, sadios na fé, no amor, e na constância. As mulheres mais velhas devem ser reverentes no comportamento, não caluniadoras, nem escravizadas ao vinho. Devem ensinar o que é bom, e assim treinar as mais jovens a amar os seus maridos e filhos.

Um colega tinha este conselho a você, como se estivesse aconselhando sua própria filha:

  • Seja bastante observadora sobre como o seu namorado se comporta perto de outras mulheres. Ele flerta? Os olhos dele ficam vagueando, etc?
  • Observe como ele se comporta diante de sua mãe e irmã. Isto pode falar muito. Ele as ama? Ele as respeita? Ele honra sua mãe?
  • Também, como o pai dele trata a sua esposa? Isto pode ser uma bandeira vermelha, ou uma verde.

Ligado a isto está o currículo de aconselhamento pré-marital que usamos na Mars Hill. Sugiro que você o leia com o seu namorado, mas também encontre casais mais velhos e piedosos (idealmente as mesmas pessoas que os aconselham separadamente) que possam conhecê-los e mentorear ambos.

Também sugerimos os sermões do Pastor Mark sobre casamento para homens e mulheres da série Trial (1Pedro). Eles lhe falarão muito sobre o que Deus planejou para o casamento. A série original de sermões em Provérbios que o Pastor Mark fez há um tempo, sobre o Pacto de Casamento será instrutiva também.

Outro sermão que pode se mostrar bastante iluminador para você seria o sobre o namoro, que foi parte da série Religion Saves. Por favor, veja as notas daquele sermão também.

Finalmente, sugerimos que você leia “What did you expect?”, de Paul Tripp. Fala sobre as expectativas irreais de quase todos os casais logo que casam. Ler este livro pode ajudar você a evitar problemas antes que eles criem raízes. Tripp os chama de ervas daninhas que criam raízes no jardim do casamento.

Publicado no blog da Mars Hill Church [clique aqui para ler o original]


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*A Igreja Mars Hill adota o uso de diaconisas. Mais sobre a sua postura sobre o assunto pode ser lido aqui. Há uma longa discussão sobre a legitimidade de diaconisas, que não é o ponto do artigo - nem do EuCaso.com, e por isso não será discutido.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Seis coisas que os cônjuges deveriam aprender de Efésios 5

por Bob Lepine, palestrando na Conferência Nacional do CCEF

1. Eles estão mortos para o mundo e vivos em Cristo.

2. É crucial guardar a pureza sexual no casamento.

3. Guardem-se contra a cobiça (buscar a satisfação que o casamento deve promover, em coisas fora do casamento).

4. Mensagens sexuais do mundo são vazias.

5. Mortifiquem a carne, não tentem "gerenciá-la".

6. Os cristãos nunca deveriam se envergonhar de ter uma conversa sexual saudável no casamento.

Originalmente publicado no blog do CCEF [clique aqui para ler]

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dê graças! A visão de casamento da Time é obsoleta

Nancy Pearcey*

Na hora das famílias se reunirem para o Dia de Ação de Graças, a revista Time nos diz que o casamento está se tornando "obsoleto". Uma pesquisa conduzida junto com o Centro de Pesquisa Pew descobriu que aproximadamente 4 em 10 americanos concordam que o casamento está ultrapassado.

Este número inclui tanto os que aplaudem a tendência (62% dos que cohabitam) e aqueles que lamentam (42% dos auto-descritos conservadores).

A verdadeira estória, entretanto, é o pressuposto não declarado de que o casamento é definido primeiramente pelos benefícios que ele confere. Como a Time coloca, as pessoas não mais "precisam estar casadas para ter sexo, ou companhia, ou sucesso profissional, ou respeito, ou mesmo filhos".

O título do artigo é: "Casamento: pra que serve?"

Como os americanos vieram a aceitar uma visão tão utilitarista do casamento? É uma definição superficial, culturalmente condicionada, ocidental e modernista - uma que promete libertação, mas na realidade põe uma ameaça à liberdade.

As fontes da civilização ocidental - ambas clássicas e cristãs - reconheciam que relações sociais como o casamento são naturais, pautadas na natureza humana. O casamento foi considerado uma instituição social pré-existente com sua própria estrutura normativa.

Nós não criamos o casamento no improviso. Em vez disso, na elegante linguagem da cerimônia de casamento, nós "entramos no santo estado do matrimônio".

Então, na primitiva Europa moderna, a idéia estranha surgiu de que o casamento não é nem natural, nem intrínseco à natureza humana. Os físicos Newtonianos ilustraram o universo material como átomos se colidindo no vácuo sob a força da atração ou repulsão. A mesma metáfora logo foi aplicada ao mundo social também.

A sociedade civil foi ilustrada como muitos "átomos" humanos que se uniam e "amarravam" em vários relacionamentos sociais.

Os teóricos do contrato social como Locke e Rousseau propuseram que os humanos começam como indivíduos atomísticos, disconectados e autônomos. No "estado de natureza" não há casamento, família, nem sociedade civil.

Como, então, os relacionamentos sociais surgiram? De acordo com a teoria, foram criados pela escolha. E, portanto, podem ser recriados pela escolha.

A teoria do contrato social, assim, reduz todos os relacionamentos a... bem... contratos.

Em um contrato, os termos podem ser definidos da forma que você quiser. Diferente do compromisso da vida inteira de alguém para melhor ou pior, um contrato é uma troca limitada de bens e serviços. É um arranjo que firmamos com outros, que podemos fazer ou quebrar pela vontade. Se não mais produzir os benefícios desejados, pode ser encerrado.

Soa familiar? Esta é a visão de casamento que a Time pressupõe quando apresenta a idéia de que o casamento poderia ser obsoleto.

E a Time não está sozinha. A maioria dos americanos absorve alguma forma de teoria do contrato social com o ar que respira. O professor de Princeton, Eric Springsted, diz que este é a pressuposição inconsciente que os alunos trazem à sala de aula: "sem ter lido uma palavra de Locke, eles poderiam reproduzir sua noção do contrato social sem dúvida no mundo".

Não há surpresas no senso dos americanos, de que os laços sociais estão se enfraquecendo. No livro Democracy's Discontent (o descontentamento da democracia), Michael Sandel, de Harvard, reclama que a filosofia política liberal apresenta os humanos como "seres livres" que rejeitam se prender por qualquer "amarra moral ou cívica que eles não tenham escolhido".

Em Rights Talk (falando de direitos), Mary Ann Glendon, também de Harvard, diz que mesmo nossas leis são baseadas em uma imagem do "ser livre, um ser conectado a outros apenas por escolha".

E se humanos são originalmente e inerentemente indivíduos autônomos, então se segue logicamente que qualquer limite moral sobre a sua autonomia será considerado contrário à sua natureza. A idéia de que o casamento tem uma estrutura normativa parecerá opressiva.

Como resultado, o casamento como praticado nos Estados Unidos se tornou extremamente frágil - com consequências trágicas. Os dados empíricos claramente mostram que crianças de pais solteiros ou divorciados têm mais probabilidade de sentir problemas emocionais, de comportamento, e de saúde. Têm mais probabilidade de problemas na escola e desistência. São um risco maior para a gravidez antes do casamento, drogas e abuso do álcool, suicídio e crime.

Consequentemente, há mais probabilidade deles requererem serviços sociais através do sistema educacional, do sistema de saúde, do sistema de saúde mental e do sistema de justiça criminal. Todas estas intervenções são intrusivas e caras. Somente a execução do pagamento de auxílio à criança custa dez milhões de dólares aos Estados individuais.

Enquanto o casamento se enfraquece, o Estado cresce mais invasivamente, e se torna mais caro. E as pessoas crescem menos livres e mais fracas.

Os custos da crise no casamento são suportados por toda a sociedade, e, portanto, é razoável para toda a sociedade demandar apoio ao casamento - insistir que ele é privilegiado tanto culturalmente quanto legalmente.

A defesa do casamento é a defesa da liberdade. Nenhum dos dois é obsoleto.


Publicado originalmente no Human Events [clique aqui para ler o original]

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*Nancy Pearcey é autora do livro Verdade Absoluta, publicado em português pela CPAD; do livro A Alma da Ciência, publicado pela Cultura Cristã, bem como de outros livros envolvendo Filosofia da Ciência, Teologia Filosófica, Cristianismo e Cultura, e Cosmovisão Cristã.